Manifestantes e polícia entram em confronto durante protesto em Atenas
Manifestantes e a polícia grega entraram em confronto hoje em Atenas durante a manifestação de homenagem às vítimas do acidente ferroviário de fevereiro de 2023 que provocou 57 mortos, divulgou a comunicação social grega.
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De acordo com a televisão estatal grega ERT, pedras e ‘cocktails’ molotov foram atirados contra a polícia antimotim, que respondeu com gás lacrimogéneo, quando cerca de 200 mil pessoas se reuniram em redor do edifício do Parlamento, no centro de Atenas, para homenagear as 57 vítimas da tragédia.
Pelo menos uma pessoa foi levada por paramédicos para longe dos distúrbios, segundo a agência de notícias Associated Press (AP), referindo que mais de 5.000 polícias foram mobilizados na capital para controlar multidões e confrontos.
Ainda não há números oficiais, mas fontes do jornal Proto Thema apontam para 84 interpelações realizadas pela polícia, das quais 41 resultaram em detenções.
Cerca de 300 mil gregos participam hoje numa greve geral e em manifestações em memória dos 57 mortos no desastre ferroviário de 28 de fevereiro de 2023. Em Atenas, cerca de 200 mil manifestantes reuniram-se em frente ao Parlamento para exigir respostas sobre as causas exatas deste acidente que se tornou um “trauma coletivo”, segundo o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis.
Em meio a uma grande emoção, os nomes e as idades de todas as vítimas do acidente, a maioria delas jovens, foram lidos no início de uma manifestação diante do Parlamento, no centro de Atenas. Foi então observado um minuto de silêncio na presença de familiares das vítimas, incluindo a pediatra Maria Karystianou, que lidera agora a luta das famílias das vítimas que exigem responsabilização das autoridades.
Uma grande multidão também se reuniu em Tessalónica, a segunda maior cidade do país, mas também em Larissa, perto do local do acidente, e noutras cidades do país, de acordo com a televisão pública ERT.
Muitos manifestantes apontam um alegado encobrimento de responsabilidade pelo pior acidente de comboio na Grécia, uma acusação feita pelo coletivo de famílias das vítimas e pela sociedade civil.
Com os transportes paralisados, as escolas, as universidades, as administrações e as lojas encerradas, o país está hoje praticamente parado, respondendo ao apelo de uma greve geral de 24 horas.
Não há comboios, ‘ferries’, autocarros ou elétricos a circular, enquanto muitas ligações aéreas foram canceladas. No centro de Atenas, muitas lojas encerraram as portas em sinal de solidariedade a uma Grécia profundamente abalada por este desastre.
A 28 de fevereiro de 2023, pouco antes da meia-noite, um comboio de Atenas para Salónica (norte), com mais de 350 passageiros a bordo, colidiu frontalmente com um comboio de mercadorias no Vale de Tempe, a cerca de 350 quilómetros a norte da capital. Os dois comboios circularam no mesmo carril há 19 minutos sem que nenhum sistema de alarme fosse acionado.
Para além do erro humano atribuído ao chefe da estação local naquela noite, a investigação revelou imediatamente negligência grave na rede ferroviária, em particular a falha em adaptar os sistemas de segurança aos padrões exigidos.
“Erros humanos fatais combinaram-se com falhas crónicas do Estado, perturbando violentamente as nossas certezas”, reconheceu hoje o chefe do Governo conservador numa mensagem na rede social Facebook.
Mais de 40 pessoas foram processadas, mas ainda nenhuma foi julgada.
O Governo conservador rejeitou repetidamente as acusações dos partidos da oposição de que existia um “plano organizado” para encobrir altos funcionários.
Kyriakos Mitsotakis, confortavelmente reeleito apenas quatro meses após o desastre, denunciou uma tentativa de “desestabilizar” o país, criticando “a instrumentalização política da dor humana”.
Um relatório especializado financiado pelas famílias das vítimas concluiu que o comboio de mercadorias transportava uma carga ilegal e não declarada de produtos químicos explosivos, o que pode ter contribuído para o elevado número de mortos.
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By Impala News / Lusa
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