ONU suspende ajuda alimentar perante agravamento de combates e violência no Sudão

O Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas (PAM) anunciou hoje a suspensão das suas operações no campo de deslocados de Zamzam, no oeste do Sudão, afetado pela fome, devido aos combates e à violência.

ONU suspende ajuda alimentar perante agravamento de combates e violência no Sudão

O PAM justificou a sua retirada devido aos “combates intensos no campo de Zamzam, na região do Darfur Norte do Sudão”, dois dias depois de a organização não-governamental (ONG) francesa Médicos Sem Fronteiras (MSF) ter tomado a mesma decisão.

“Durante as duas últimas semanas, a escalada da violência deixou os parceiros do PAM sem outra opção senão retirar o seu pessoal para um local seguro”, explicou a agência da ONU num comunicado.

Desde abril de 2023, o chefe do exército Abdel Fattah al-Burhane e o comandante das Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês), Mohamed Hamdane Daglo, outrora aliados, estão envolvidos numa luta pelo poder que mergulhou o país numa guerra devastadora, que já provocou a morte de dezenas de milhares de pessoas e que contabiliza a dramática cifra de mais de 12 milhões de desalojados.

O campo de Zamzam, situado a sul de el-Fashir, a capital do Darfur do Norte, alberga pelo menos meio milhão de pessoas, na sua maioria deslocadas pela guerra.

O campo foi atacado a 11 de fevereiro por paramilitares da RSF e, durante dois dias, houve combates entre a RSF, por um lado, e o exército e as milícias aliadas, por outro.

Os beligerantes foram acusados de bombardear indiscriminadamente instalações de saúde e zonas residenciais e de utilizar a fome como arma de guerra.

O campo de Zamzam, o maior do Darfur, foi o primeiro local onde foi declarado o estado de fome no Sudão em agosto de 2024, de acordo com uma avaliação apoiada pela ONU.

A fome afeta agora cinco zonas do país e prevê-se que se estenda a outras cinco, incluindo el-Fashir, em maio.

Oito milhões de pessoas estão à beira da fome no Sudão, enquanto quase 25 milhões, ou seja, cerca de metade da população, sofrem de insegurança alimentar aguda.

MAV // MLL

By Impala News / Lusa

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