Lagoa de Santo André abre ao mar para renovação da água e espécies de peixes
A Lagoa de Santo André, no concelho de Santiago do Cacém, abriu hoje ao mar, pouco depois das 13:00, antes do previsto, devido à cota elevada, com vista à renovação da água e das espécies.

A lagoa “abriu um pouco mais cedo do que era esperado”, cerca das 13:10, explicou à agência Lusa o presidente da Câmara de Santiago do Cacém, no distrito de Setúbal, Álvaro Beijinha.
“Depois de ter sido feito um trabalho prévio”, com recurso a máquinas retroescavadoras, “o mar encarregou-se de derrubar a última barreira” e fazer a ligação ao mar, precisou.
Segundo o autarca, com base em dados fornecidos pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), a lagoa apresenta, este ano, “uma cota elevada”, devido às chuvas das últimas semanas, e por essa razão “o processo [de abertura] foi mais fácil”.
“Este ano a câmara chamou a si a responsabilidade da abertura da lagoa, fez um protocolo com a Agência Portuguesa do Ambiente [APA] e envolveu os pescadores e a comunidade locais, a junta de freguesia de Santo André e o ICNF”, acrescentou.
As entidades envolvidas acordaram “o dia, a hora e o local exato” para a abertura da lagoa e, por isso, o autarca mostrou-se convicto de que estão reunidas as condições para que “a natureza possa fazer o seu trabalho” e garantir a ligação da lagoa ao mar “o maior número de dias possível”.
O ano passado, a Lagoa de Santo André “esteve aberta ao mar mais de 90 dias”, acrescentou.
De acordo com o vice-presidente da APA, Rogério Silva, que assistiu pela primeira vez à abertura da lagoa, este processo “tem uma mais-valia do ponto de vista ambiental”, uma vez que visa a “renovação da água” e das “espécies piscícolas”.
“A APA faz o seu papel, mas está a fazê-lo cada vez mais com grande proximidade aos atores locais, nomeadamente as autarquias que estão no território para que se operacionalize todo este conjunto de operações”, realçou.
Tal como em anos anteriores, os trabalhos de abertura do canal, com largura e profundidade suficientes para permitir a ligação ao mar, foram acompanhados por centenas de pessoas que permaneceram no areal até à conclusão do processo.
À Lusa, Carlos Agostinho, um dos pescadores da Lagoa de Santo André, mostrou-se satisfeito pela forma como decorreu a operação deste ano e disse esperar que as próximas marés possam “lavar bem a lagoa e deixar entrar as espécies piscícolas”.
“Por enquanto está tudo a correr bem. Está com força, está a alargar e a afundar o que significa que vai ser possível renovar essa água suja que a chuva traz das serras. Agora, convém que meta umas marés boas, para lavar bem a lagoa e deixar entrar espécies piscícolas”, afirmou.
A operação contou com o apoio do ICNF e a colaboração da Capitania do Porto de Sines.
A abertura da lagoa ao mar acontece todos os anos por altura do equinócio da primavera e, além do espetáculo que a natureza proporciona, visa a renovação das espécies e a limpeza da água.
HYN // RRL
By Impala News / Lusa
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