Estudo alerta para aumento de doenças crónicas não transmissíveis em Moçambique

Um estudo do Instituto Nacional de Saúde (INS) de Moçambique alertou hoje para o aumento de casos de doenças crónicas não transmissíveis associados a fatores de risco envolvendo maus hábitos alimentares e sedentarismo.

Estudo alerta para aumento de doenças crónicas não transmissíveis em Moçambique

“Os resultados do inquérito mostram prevalência importante dos fatores de risco cardiometabólicos: obesidade (11,2%), sedentarismo (56,5%), abuso de álcool (9,8%), hipertensão arterial (25,3%), hipercolesterolemia (12,2%)”, lê-se num relatório denominado “Inquérito Nacional de Prevalência e Fatores de Risco de Doenças Crónicas Não Transmissíveis (InCRÓNICA-2024)”, divulgado hoje, em Maputo.

O InCRÓNICA-2024, estudo organizado pelo INS e conduzido em parceria com o Instituto Nacional de Estatística (INE), Ministério da Saúde (Misau) e Organização Mundial da Saúde (OMS), foi realizado em todo o mês de julho de 2024 em 126 distritos do país.

Fazendo uma análise comparativa com o ano de 2005, o documento avança que a prevalência de casos de sedentarismo e obesidade subiu, respetivamente, de 46,5% e 7,5%, em 2005, para 59,8% e 14,1%, em 2024.

“A prevalência de consumo de álcool mostrou um aumento acentuado de consumo de 45,2% em 2005 para 76,5% em 2024. Destaca-se o facto de a faixa etária dos 25 aos 44 anos apresentar maior prevalência de consumo de álcool em 2024 (78,1%) quando comparada com 2005, em que esta era de 42,3%”, explica.

O InCRÓNICA-2024 refere ainda que 81% da população moçambicana consome menos de 5 porções de frutas ou vegetais por dia e 22% adicionam habitualmente sal ou temperos salgados ao prato, no momento da refeição ou após a confeção dos alimentos.

“A percentagem de pessoas que adicionam sal frequentemente antes das refeições foi de 21,2%, e a que consome comida processada salgada diariamente ou muito frequentemente foi de 6,8%”, avança.

De acordo com o estudo, neste período, a prevalência de tentativa de suicídio, depressão e asma em Moçambique foi 5,2%, 6,2% e 6,8%, respetivamente.

“O inquérito indica a urgência de tomada de medidas de saúde coletiva e intervenções multissetoriais para enfrentar o sedentarismo, uso abusivo do álcool e uso excessivo de sal”, acrescenta.

O InCRÓNICA é financiado pelo Alto Comissariado do Canadá e pretende aferir o “estado de saúde dos moçambicanos”, segundo as autoridades do país.

O Canadá anunciou em abril do ano passado um financiamento de sete milhões de dólares canadianos (4,8 milhões de euros) destinados à realização de dois inquéritos para melhorar a prestação de serviços de saúde em Moçambique.

Segundo a informação divulgada na altura pelo Alto Comissariado canadiano em Maputo, o financiamento, durante cinco anos, resulta de um memorando de entendimento rubricado em Maputo, em 19 de abril de 2024, entre os parceiros do projeto “Melhorar os dados para uma melhor prestação de serviços de saúde”, que junta a OMS, Misau e INS.

A representação diplomática acrescentou que o projeto visa, entre outros aspetos, permitir a realização de dois inquéritos nacionais, nomeadamente o Inquérito da Avaliação Harmonizada da Prontidão das Unidades e Serviços de Saúde (PrOSA) e o Inquérito Nacional de Prevalência de Fatores de Risco para as Doenças Crónicas Não Transmissíveis (InCRÓNICA).

 

LYCE // MLL

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By Impala News / Lusa

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