Cientistas advertem que China pode perder 35% das terras aráveis até 2100

A China pode perder até 35% das terras aráveis até 2100 devido às mudanças climáticas, mesmo que os compromissos do Acordo de Paris sejam cumpridos, segundo um estudo publicado na revista Science China Earth Sciences

Cientistas advertem que China pode perder 35% das terras aráveis até 2100

A investigação, conduzida pelo Centro de Análise e Dados Geográficos da Universidade Normal de Pequim, foi financiada pela Fundação Nacional de Ciências Naturais da China e liderada pelo investigador Gao Peichao, noticiou o South China Morning Post, um jornal de Hong Kong.

O relatório alerta para o facto de as regiões mais afetadas serem a bacia de Sichuan (centro da China) e as planícies do norte e nordeste do país, onde muitos terrenos agrícolas serão transformados em zonas húmidas e florestas.

Além disso, prevê-se uma redução significativa das terras cultivadas no sul e nas zonas costeiras, com uma expansão das zonas húmidas no leste e no sul do país.

Consequentemente, as áreas de cultivo de alta densidade seriam reduzidas para quase metade, afetando significativamente a produção de cereais.

Os investigadores utilizaram, para a realização do estudo, o CLUMondo e o Modelo de Avaliação das Alterações Globais para avaliar o impacto das alterações climáticas na utilização dos solos num cenário de aumento da temperatura global de 1,5 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais, o limiar estabelecido pelo Acordo de Paris em 2016 para evitar os piores impactos climáticos.

A investigação sublinha a necessidade de os países aumentarem os seus esforços de redução das emissões até 2030, atingindo uma descarbonização mínima de 8% por ano a partir dessa data.

O estudo propõe medidas como uma monitorização mais rigorosa das zonas vulneráveis, a melhoria da qualidade dos solos agrícolas e a otimização da gestão dos recursos agrícolas para atenuar os efeitos da perda de terras cultivadas.

O contexto mundial agrava a situação. A Organização Meteorológica Mundial informou que 2023 foi o ano mais quente de que há registo, com uma temperatura média 1,55°C acima da época pré-industrial.

Apesar disso, apenas 13 dos 195 países que assinaram o Acordo de Paris entregaram os seus planos de redução de emissões dentro do prazo, enquanto grandes economias como a China, a União Europeia e a Índia ainda não cumpriram este compromisso.

O governo chinês recebeu os resultados do estudo, que pode levar a uma atualização das suas políticas de proteção das terras agrícolas, pouco antes do início da reunião anual do Assembleia Popular Nacional, um órgão que não tem poder de supervisão e está sujeito ao controlo do Partido Comunista Chinês.

APL // VQ

By Impala News / Lusa

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