Ricardo Araújo Pereira Defende vídeo de Joana Marques sobre Anjos: “Não teve assim tantas visualizações”

Ricardo Araújo Pereira analisa detalhadamente a polémica dos músicos com a conhecida humorista.

Não se fala de outra coisa! O processo judicial que o grupo musical, Anjos, avançou contra Joana Marques tem corrido muita tinta e é caso que ainda dará muito pano para mangas.

O duo concedeu uma entrevista a Cristina Ferreira e Cláudio Ramos no Dois às 10, que gerou mais dúvidas do que certezas. Uma questão permanece na cabeça do público: terá a comediante culpa do ódio que a banda recebeu?

Segundo Ricardo Araújo Pereira, não! O humorista analisou as acusações ao detalhe no último episódio do Podcast, ‘Assim Temos de Falar de Outra Coisa’, que conduz ao lado de Miguel Góis e Diogo Quintela

Leia mais: Anjos – Rosto da TVI desmonta argumento da dupla no processo contra Joana Marques: “Não acredito”

As declarações de Ricardo Araújo Pereira

“O julgamento vai começar em junho e há duas ou três coisas divertidas sobre esse julgamento. A primeira é as pessoas acharem que o processo dos Anjos e o pedido de mais de 1,1 milhões de euros de indemnização têm a ver com um episódio de ‘Extremamente Desagradável’, há pessoas à procura de um episódio que não existe. É, na verdade, um vídeo que ela fez para pôr no seu Instagram, vídeo esse que tem um minuto, que produziu um estrago no valor de 1,1 milhões de euros”, começou por apontar.

“Portanto, o que os Anjos alegam é que aquele vídeo causou um dano suficiente de quebras de contrato e que promotores deixaram de os convidar para trabalhar, fazer concertos, no valor de 1,1 milhões de euros. Um pouco mais. Ora, a própria agência dos Anjos revela que eles, nos últimos, sei lá, 12 anos, faturaram anualmente um pouco acima de 200 mil euros. Portanto, o vídeo de um minuto da Joana Marques fez com que eles tivessem um prejuízo equivalente a sete anos de trabalho. Eles iam trabalhar muitíssimo, o equivalente a sete anos de trabalho naqueles meses a seguir. Por causa da Joana Marques não conseguir fazê-lo e, portanto, estão a processar. Entretanto, voltaram a trabalhar e bem, não se têm queixado”, explicou.

“Outra coisa é: não foi a Joana que se lembrou daquilo. Primeiro, aconteceu a polémica e, depois, então o vídeo da Joana. Foram convidados para cantar no [Grande Prémio de] MotoGP e a Joana não estava a acompanhar, ela não gosta assim tanto de motas. Ela apercebeu-se que havia esse caso, precisamente, porque começou a circular um vídeo deles a cantar. Vídeo esse a que os próprios Anjos se referem, dizendo numa entrevista, que, quando viram esse vídeo a circular, sentiram vergonha, porque realmente aquilo dá uma má imagem“, ressaltou.

“E as pessoas que não aplaudiram?”

“Ao que parece, houve um problema técnico qualquer que fez com que aquela atuação dos Anjos pareça um bocado esganiçada. Problema esse que é alheio à Joana, como é óbvio, e a todos nós, nem a quem meteu o vídeo a circular. A Joana limitou-se a fazer uma brincadeira com os Anjos a cantar e fez um contraplano com o júri do ‘Ídolos’, do qual ela fazia parte naquela altura. Quem vê o vídeo da Joana, o que significa? Significa só: ‘Não achei que eles estivessem a cantar muito bem’. É esta a opinião que está expressa naquele vídeo da Joana. Não achar que eles estavam a cantar muito bem paga 1,1 milhões de euros. No vídeo de um minuto é isso que se depreende, que não achei que estivessem a cantar muito bem. Imaginem que era um vídeo de dois minutos e que eu achava que eles cantaram pessimamente. Acho que eram dez milhões”, continuou

A certo ponto, Diogo Quintela também interveio. “E as pessoas que estavam no autódromo que não aplaudiram? E as que aplaudiram provavelmente já estavam com aqueles tampões que as pessoas usam quando vão aos grandes prémios de mota”, questionou.

Mas Ricardo Araújo Pereira teve mais a dizer! “Quando se pede uma indemnização de 1,1 milhões é preciso demonstrar, claramente, uma relação causal entre o vídeo que supostamente causou dano e os danos. É um bocado difícil, porque o tal vídeo deles a cantar, que não é da autoria da Joana, começou a circular muito antes do da Joana e os comentários a esse vídeo são mesmo muito desagradáveis. Portanto, vai ser mesmo muito difícil dizer que foi o vídeo da Joana que causou este estrago.”

“Não é preciso provar”

“Gostava de ouvir o promotor de espetáculos que vai lá testemunhar a dizer que iam contratar os Anjos, estava tudo preparado, mas depois vimos aquele vídeo e dissemos: ‘Impossível, não podemos ter cá aqueles dois artistas’“, acrescentou o colega e ex-membro dos Gato Fedorento.

Uma coisa gira é que esse vídeo da Joana não teve assim tantas visualizações. Esses dados são fáceis de verificar. Agora, tem muito mais. Depois de eles terem começado aos gritos, tem, realmente, muito mais. Em princípio, o tribunal vai valorizar mais as visualizações que o vídeo tinha no momento em que os alegados danos aconteceram (…) Há um argumento deles que é ela não sabia e pôs aquilo, mas depois pediram para tirar. E ela não tirou, e bem. Se ela tivesse tirado, abria o seguinte precedente: alguém é alvo de uma critica, telefona para a pessoa que o criticou e diz: ‘Essa sua crítica está a causar-me danos patrimoniais’. Teria de dizer: ‘Então calo-me imediatamente’. Não é preciso provar”, defendeu o rosto da SIC.

A NOVA GENTE esteve à conversa com os Anjos

 

Texto: Luís Sigorro; Fotos: Impala/Redes Sociais

Impala Instagram


RELACIONADOS