Médicos internos de Medicina Interna indisponíveis para mais 150 horas extra por ano

Mais de 400 médicos internos de Medicina Interna comunicarem a indisponibilidade para realizar mais 150 horas extraordinárias por ano numa carta aberta à ministra da Saúde.

Médicos internos de Medicina Interna indisponíveis para mais 150 horas extra por ano

Médicos internos de Medicina Interna indisponíveis para mais 150 horas extra por ano

Mais de 400 médicos internos de Medicina Interna comunicarem a indisponibilidade para realizar mais 150 horas extraordinárias por ano numa carta aberta à ministra da Saúde.

Lisboa, 19 ago 2022 (Lusa) — Mais de 400 médicos internos de Medicina Interna comunicarem a indisponibilidade para realizar mais 150 horas extraordinárias por ano numa carta aberta à ministra da Saúde na qual também exigem melhores condições de trabalho e formativas.

A carta foi hoje entregue no Ministério da Saúde e é assinada por 416 dos 1.061 internos da especialidade de Medicina Interna de todo o pais, segundo o Sindicato Independente dos Médicos (SIM), que a divulgou e se solidariza com os médicos.

Tendo em conta as exigências laborais, os médicos consideram que a formação dos internos “se encontra comprometida”, uma vez que estão constantemente a assegurar as escalas de urgência, “desdobrando-se em turnos que deveriam ser garantidos por especialistas, em claro incumprimento dos critérios de idoneidade formativa de Medicina Interna (MI).

Por considerarem que as medidas até hoje aprovadas “são insuficientes” para a resolução das dificuldades sentidas diariamente na prestação de cuidados, os internos comunicam na carta que vão entregar a nível individual e junto das respetivas administrações hospitalares a minuta de recusa de realização de mais de 150 horas extra por ano.

Vão entregar também minutas de escusa de responsabilidade sempre que estiverem destacados para trabalho em urgência e as escalas deste serviço não estiverem de acordo com o regulamentado.

“Desta forma, exigimos melhores condições formativas e de trabalho, uma remuneração que reflita a nossa diferenciação, o cumprimento dos tetos máximos de horas extraordinárias e o cumprimento dos mínimos assistenciais nas equipas de urgência, de forma a poder dar resposta ao grau de exigência que nos é exigido, garantindo a segurança dos nossos utentes”, salientam na carta.

Os médicos realçam ainda que a MI é a especialidade médica sobre a qual assentam as estruturas hospitalares e os Serviços de Urgência de todo o país e alertam que sem a presença dos internos as escalas das urgências não se encontrariam regularmente preenchidas.

“Temos assistido a situações como as do Hospital São Francisco Xavier (Lisboa) em que as escalas de urgência de MI ficam repetidamente fragilizadas e reduzidas a internos de MI”, mas também noutros hospitais do país em que “se multiplica” o recurso a internos para preencher turnos de especialistas das escalas de urgência, “tendo esta prática sido tornada um hábito, em prejuízo da sua formação, nomeadamente no que respeita à restante atividade assistencial, como consulta e internamento”, lamentam.

Assim, salientam, “pouco tempo sobra” para cumprir “os números mínimos” exigidos nos currículos relativamente ao número de consultas, treino das inúmeras técnicas exigidas à especialidade, tempo para atividade como publicação de artigos e trabalho de investigação.

“Isto resulta numa formação deficiente, sufocada pelas exigências dos serviços de urgências e numa desmotivação crescente”, alertam.

Os médicos dizem que esta “espiral de insatisfação vai-se agravando todos os dias e é comum a várias especialidades médicas”.

HN // ZO

By Impala News / Lusa

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