Mundial do Qatar: Estudo revela riscos dos cabeceamentos no futebol

Quando assistimos a um jogo de futebol muitas vezes não reparamos em todos os perigos que este desporto acarreta. Os lances mais violentos chamam a atenção pelo seu aparato, mas, há rotinas normais nos jogos, como é o caso dos cabeceamentos, que podem trazer problemas.

Mundial do Qatar: Estudo revela riscos dos cabeceamentos no futebol

Mundial do Qatar: Estudo revela riscos dos cabeceamentos no futebol

Quando assistimos a um jogo de futebol muitas vezes não reparamos em todos os perigos que este desporto acarreta. Os lances mais violentos chamam a atenção pelo seu aparato, mas, há rotinas normais nos jogos, como é o caso dos cabeceamentos, que podem trazer problemas.

Quando assistimos a um jogo de futebol muitas vezes não reparamos em todos os perigos que este desporto acarreta. Os lances mais violentos chamam a atenção pelo seu aparato, mas, há rotinas normais nos jogos, como é o caso dos cabeceamentos, que podem trazer problemas, e que nem sempre são valorizadas. Recentemente, um estudo publicado na Radiology constatou que o cabeceamento excessivo de 885 a 1.550 vezes durante um ano leva a alterações no cérebro e na função cognitiva semelhantes aquelas observadas em pessoas com concussão, mesmo quando os jogadores nunca sofreram uma concussão real.

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Estudos sobre a ligação entre o cabeceamento no futebol e a função cognitiva (como memória, atenção e velocidade de processamento de informações) tiveram resultados mistos. Alguns especialistas analisaram os estudos e argumentaram que o cabeceamento está, de facto, associado a uma função cognitiva pior em jogadores de futebol do ensino médio, adultos amadores e profissionais. No entanto, muitos desses estudos combinam cabecear a bola com outras causas de lesão na cabeça, como colidir com outro jogador ou a trave ou mesmo bater no chão.

Alguns especialistas analisaram os estudos e argumentaram que o cabeceamento está, de facto, associado a uma função cognitiva pior em jogadores de futebol

Já me debrucei sobre esta questão e, na minha opinião, o resultado do papel de cabecear sozinho, sem concussão reconhecida, permanece obscuro e controverso. A mesma conclusão pode ser observada na atualização da diretriz de 2013 da Academia Americana de Neurologia sobre concussão no desporto. No entanto, devemos ter em atenção que em alguns casos a bola desloca-se a alta velocidade e cabecear a bola de futebol nessas condições pode causar concussão, que é uma forma leve de lesão cerebral traumática (TCE).

A concussão é diagnosticada quando os sintomas – como confusão, desorientação, amnésia, tontura, dor de cabeça e outros – acompanham um golpe na cabeça. A maioria das pessoas se recupera totalmente de uma concussão em dias ou semanas, embora algumas possam apresentar sintomas persistentes. Estes podem incluir problemas com a função cognitiva, como pensar e lembrar. Podemos então dizer que é uma alteração da função mental ou do nível de consciência, causada por um traumatismo craniano.

Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues, é um Pós-doutor e PhD em neurociências eleito membro da Sigma Xi, The Scientific Research Honor Society e Membro da Society for Neuroscience (USA), Mestre em Psicologia, Licenciado em Biologia e História; também Tecnólogo em Antropologia com várias formações nacionais e internacionais em Neurociências e Neuropsicologia. É diretor do Centro de Pesquisas e Análises Heráclito (CPAH), Cientista no Hospital Universitário Martin Dockweiler, Chefe do Departamento de Ciências e Tecnologia da Logos University International, Membro ativo da Redilat, membro-sócio da APBE – Associação Portuguesa de Biologia Evolutiva. Membro Mensa, Intertel e TNS.

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